29 okt 2009, 14:03
Na vez passada, acendia um beque e pitava, pitava uma vez e olhava: as fotos, os mapas, as imagens que fotografava.
O silêncio é o mesmo, barulho de geladeira, pássaro gritando, piando, cidade entorno daqui.
Hoje, deitada em minha cama olho a janela: vaso de flor recuperada, nuvem e antena.
Nuvem passa calmamente, vento abre fendas para o azul, flor permanece intacta no vaso e sons dos pássaros misturam-se.
Olho e gostaria de ter um transe, uma sinapse escatológica não importando o que ela significa, mas a palavra é sonora ao que eu procuro. Penso: seu eu fumo um beque, as coisas se turbinam nos meus ouvidos, ficam mais próximas do meu sorriso mole, largo, meus pensamentos frouxos. Se eu não fumo, parece tudo não se transformar em nada, mas querer se transformar em nuvem é a vontade que dá.
Transformar em nuvem, ouvir os pássaros misturados, ouvir o nexo que dá tudo junto, ou não dá.
Fome, casa, coisas, passagens, datas, dias, comemorações, fome, tristeza, saudade, solidão.
Eu busquei este trabalho e preciso me entregar.
O que dirão de mim, o que farão comigo, e pra onde eu vou quando a noite chegar?
Tristeza, ódio ou solidão ?
Calma, amor, saudade, silêncio, concentração.
escolheram esta data....afffff .... um presente que me deram..... um presente que eu escolhi e não posso trocar.
Coragem! Para o que pode dar certo, ou para o que nada vai mudar. Tudo é transformação.
Coragem!
Não pense!
Ai que angústia, indecisão, medo.
Quem eu levo, o que eu levo pra me acompanhar nesta solidão? O que eu levo nos meus olhos?
Olho a paisagem: a nuvem não se desfaz num movimento gradual milimétrico, ela começa a se desmontar com várias pausas... o movimento se desfaz e pausa, outra forma se monta diferente daquela e não em gradual sequência dela...há cortes....como se fossem cortes "mal" feitos sem prefeição de junções, encaixes.