julijolie

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  • Fumaças da moral

    6 feb 2010, 03:54

    sem borocoxô, sem borôqueachô!
    Mas a moral tem me enchido um pouco o saco. E aí vou observando e tentando ser com o que eu quero pelas ruas.
    na melhor boa vontade de sempre.
    e como é difícil, mas vieram-me várias inspirações amigas, falas, movimentos ...

    nos fones, noites na pós-modernidade
    energias transitantes
    carnavais em folias,
    uma explosão que virá a ser o boom do século.
  • Incensos úmidos.

    31 jan 2010, 21:02

    Não há mais conexão.
    Existiu uma conexão de um tempo atrás que não cola mais. As lembranças estão já coladas à um tempo-presente, às coisas de agora, que não vos pertencem mais.
    Não fui eu quem quis assim e acho que é por isso que me sinto um pouco triste. Estou indo em busca de um novo lar, de novas amizades a que eu pertença. Talvez nessas mesmas.
    Essa busca não é de hoje, e esse tricot das galinhas já se tornou ... talvez seja uma visita ao passado e só.
  • um novo lar.

    27 jan 2010, 02:08

    Estou me perguntando: o que estou fazendo aqui neste lugar?
    Tenho minha toca, tenho o final de um mestrado.
    Estou sem certezas novamente, indo em busca de um novo lar.
    uma vida, inconstante.
    como tantas outras
    mas somente eu consigo sentir a diferença da minha.

    pensei, estou pensando
    se eu mudasse para a Chapada Diamantina
    será que lá é um lugar de pessoas parecidas comigo?
    mais uma tentativa de se afinar com o meu mundo.

    Onde estou hoje ...
    um lugar onde tive boas oportunidades
    mas não me sinto entre amigos.

    uma noite aprendendo a viver comigo mesma
    músicas de rádio, velhas lembranças
    e o convite de vários livros.
  • Devir-criança

    11 nov 2009, 22:13

    Menos gorgonzola, mais cream-cheese.
    Nem me lembro o dia que eu conheci o requeijão ... talvez não tenha me causado nenhum impacto. Só me lembro de uma amiga chamada M. que comentou que a outra amiga C. enchia as torradas de requeijão, quando ia na casa dela... ou seja, acabava com o requeijão da M.
    Tomando vinhos, vivendo a França aqui noutro país, enquanto o suor micro-goteja e gruda-se com a poeira na pele, e a manga aguarda na geladeira.
    Mas não mastigo como mastigava antes... são sim, mastigadas nervosas de uma boca faminta, o sangue embriagado, enquanto o olho devora os detalhes da casa.
    Sou uma criança num corpo de gente grande, nem sempre sou mulher.
    Lembro-me de me enervar com um pôster do Escher na casa de minha amiga, pato-peixe-pato, e no banheiro tinha um quadrinho como daqueles de Toulouse-Lautrec... quando fui à França, comprei um igual, e hoje o meu se encontra de fora e ao lado da porta do banheiro, desvirtuado pelas idéias que eu tinha daquele desenho naquele tempo.
    Sou também um devir-fada, com banhos de ervas e frutinhas para enfeitiçar os elfos hihihi...
    Mastigadas cheias, macerando pães com gorgonzola para extrair o ódio do corpo, questionar a ambição. Bebendo vinho como grotões da taverna, deixando molhar o rosto e misturá-lo às lágrimas.
    Um devir-sereia, pois sua paixão não é por elfos, mas por humanos.
  • PERCEPTO

    11 nov 2009, 19:59

    Descobri o que é percepto, e o que antes era o conceito que me instigava agora é o conceito que eu devo aceitar e usar.
    Ele está aí, bem como Deleuze disse: independe daquele que o sentiu, e também daquele que o criou..... uma vez que o artista extraiu esse bloco de sensações da paisagem...etc, o percepto conserva-se em si.
    Estava na sacada, quando fui tomada por um ar que me remeteu a uma certa sensação, porém, não soube vibrar a sensação.
    Isso seria o percepto:
    "É verdade que toda obra de arte é um 'monumento', mas o monumento não é aqui o que comemora um passado, é um bloco de sensações presentes que só devem a si mesmas sua própria conservação, e dão ao acontecimento o composto que o celebra. O ato do monumento não é a memória, mas a FABULAÇÃO. Não se escreve com lembranças de infância, mas por blocos de infância, que são devires-criança do presente. (...)" (Deleuze e Guatarri, 1992*, 218)

    Mas ainda há mais detalhes a serem descobertos sobre o percepto ;)


    *O que é a filosofia?
  • MIRAGENS

    11 nov 2009, 13:28

    Aqueles olhos verdes
    Translúcidos serenos
    Parecem dois amenos
    Pedaços do luar
    Mas têm a miragem
    Profunda do oceano
    E trazem todo o engano
    Das procelas do mar

    Aqueles olhos verdes
    Que inspiram tanta calma
    Entraram em minh'alma
    Encheram-na de dor
    Aqueles olhos tristes
    Pegaram-me tristeza
    Deixando-me a crueza
    De tão infeliz amor

    Aquellos ojos verdes
    Serenos como un lago
    En cuyas quietas aguas
    Un día me miré
    No saben las tristezas
    Que en mi alma han dejado
    Aquellos ojos verdes
    Que yo nunca besaré
  • Kailash

    5 nov 2009, 02:11

    entender o amor é a lição mais difícil, assim como relacionar-se com o fogo e as cinzas.
    Um começo acho que seria com a fumaça, como a que vem de um incenso queimando ..... seus movimentos, sua dança.
  • Devir e Paisagem

    29 okt 2009, 14:03

    Na vez passada, acendia um beque e pitava, pitava uma vez e olhava: as fotos, os mapas, as imagens que fotografava.
    O silêncio é o mesmo, barulho de geladeira, pássaro gritando, piando, cidade entorno daqui.
    Hoje, deitada em minha cama olho a janela: vaso de flor recuperada, nuvem e antena.
    Nuvem passa calmamente, vento abre fendas para o azul, flor permanece intacta no vaso e sons dos pássaros misturam-se.
    Olho e gostaria de ter um transe, uma sinapse escatológica não importando o que ela significa, mas a palavra é sonora ao que eu procuro. Penso: seu eu fumo um beque, as coisas se turbinam nos meus ouvidos, ficam mais próximas do meu sorriso mole, largo, meus pensamentos frouxos. Se eu não fumo, parece tudo não se transformar em nada, mas querer se transformar em nuvem é a vontade que dá.
    Transformar em nuvem, ouvir os pássaros misturados, ouvir o nexo que dá tudo junto, ou não dá.
    Fome, casa, coisas, passagens, datas, dias, comemorações, fome, tristeza, saudade, solidão.
    Eu busquei este trabalho e preciso me entregar.
    O que dirão de mim, o que farão comigo, e pra onde eu vou quando a noite chegar?
    Tristeza, ódio ou solidão ?
    Calma, amor, saudade, silêncio, concentração.
    escolheram esta data....afffff .... um presente que me deram..... um presente que eu escolhi e não posso trocar.
    Coragem! Para o que pode dar certo, ou para o que nada vai mudar. Tudo é transformação.
    Coragem!
    Não pense!
    Ai que angústia, indecisão, medo.
    Quem eu levo, o que eu levo pra me acompanhar nesta solidão? O que eu levo nos meus olhos?
    Olho a paisagem: a nuvem não se desfaz num movimento gradual milimétrico, ela começa a se desmontar com várias pausas... o movimento se desfaz e pausa, outra forma se monta diferente daquela e não em gradual sequência dela...há cortes....como se fossem cortes "mal" feitos sem prefeição de junções, encaixes.
  • Chico e Any

    25 okt 2009, 02:34

    É chegada a hora de novamente escrever.
    Dobras tem sido vividas em alhuridades. Diversas, cada hora, dia, noite, momento, em lugares diferentes, porém o tema parece sempre o mesmo.
    Any não muda a cor do cabelo, as frases que ela escuta permanecem as mesmas e o que ela busca é mudar sua própria atitude.
    Dobra e chega sempre à vitrine de onde vê o lugar que gostaria de estar. Desdobra e vê as vitrines multiplicarem-se.
    Chico às vezes aparece no reflexo cruzado dos vidros. Eles se vêem mas não podem se tocar.
    A transparência pode permitir a visão das formas, traços de emoções, mas sem o toque não podem saber a potência de se tocarem.
    Isto os instiga a quase se esbarrarem na imaginação, se encontrarem em pensamentos.
    O espaço físico lhes é suficiente para a imaginação, enquanto vivem em territórios extensos nascidos da potência que deles criou-se, e por vezes, atratores os atravessam amplificando esta potência que os recriam, e faz Any descobrir quais as novas atitudes que ela tomará a partir de como cada novo passo é dado no atravessamento de sua própria dobra.
    recrer-se A., recria C.
  • para ler ouvindo sweet jane

    18 okt 2009, 05:54

    de Pretérito Imperfeito, p.15 - Ives Gandra da Silva Martins.

    III

    O jardim dos impossíveis
    Foi descoberto sem véu,
    E o cavaleiro por níveis
    Cavalgou o seu corcel.

    Entrou com asas na espada
    E com luares no escudo,
    Sonhava ver sua fada
    Vestida em puro veludo.

    Era um valente menino,
    Por seu saber já maduro,
    Afastando o destino,
    Como o claro afasta o escuro.

    Cavalgava o seu cavalo,
    Por alamedas cobertas.
    E ao vê-lo meu verso calo,
    Sendo as areias abertas.

    Cavalgava o mundo inteiro,
    Menor que a própria ambição
    E descobria o roteiro,
    Que não procurava em vão.

    Cavalgava o cavaleiro,
    Tendo a cabeça no espaço,
    Peregrino e não romeiro,
    Nos caminhos de seu passo.

    Cavalgava o etéreo abismo
    Por sobre sombras e sonhos,
    A mente em volta em lirismo,
    O corpo em choques medonhos.

    Cavalgava em seu jardim.
    Nascido dos impossíveis,
    Na busca do próprio fim,
    Cavaleiro dos desníveis.

    E cavalgando a aventura,
    Criou o próprio Universo,
    Esfalecendo a amargura
    Na cavalgada do verso.

    E fez a lenda do tempo
    Por ter caminhado a sós,
    Rompendo a linha do vento,
    Gerando o começo após.