14 aug 2007, 14:23
Hoje acordei antes do horário que costumo despertar, com meu estômago gritando e a cabeça a mil. Ansiedade? Talvez. No caminho de casa para o trabalho, avistei um avião se preparando para pousar, ele ia rumo ao horizonte, com o sol nascendo, uma bela imagem que ficou registrada na minha cabeça. Pensar nela é me remeter aos meus encontros e desencontros em vários aeroportos, locais que mantenho uma relação conflituosa.
Eu explico.
Tudo começou em 2001, na minha primeira viagem para a Europa. Reencontrei-me com alguém na Espanha e a despedida foi cinematográfica, com direito a trilha sonora. Virou um filme que se passa na minha cabeça a cada vez que relembro desta experiência. Nem preciso dizer que o aeroporto de Bajaras, em Madri, tem um significado único para mim, né?
Bom, em 2004 fui só para São Paulo. Como havia pouco tempo de término do meu namoro, foi um marco na minha vida. Alí me descobri e entre uma espera e outra nos aeroportos de Brasília (cancelaram meu vôo para SP e tive de pegar outro vôo de outra companhia)e São Paulo (colocaram minha volta saindo de Guarulhos, com escala no RJ)eu dei conta de um livro inteiro que me trouxe lições que até hoje carrego comigo. Mais uma vez, o aeroporto fez parte da minha história.
2005. Depois de ser obrigada a comer um bolo que uma pessoa me deu, resolvi aproveitar meu domingo assistindo a um filme no cinema do aeroporto. Comprei um tanto de guloseimas e fui para o fundo da sala. Assisti ao filme praticamente só. Experiência legal. No dia seguinte a pessoa que me deu um bolo se justificou. Desta vez, o aeroporto me trouxe a sensação ruim de tomar um furo de alguém que, na época, eu tinha como o homem mais perfeito deste mundo - Sir Garcia.
2006. Ano realmente bom, embora conturbado, principalmente nas questões sentimentais. Estive boa parte do ano confusa, um turbilhão emocional me sobrecarregou com entradas e saídas de gente na minha vida, mas o saldo foi positivo. Hoje tenho mais bagagem. O ano começou bem com uma viagem a SP e foi alí que começou a história que vivo hoje. Enfim, em junho retornei à selva de pedra, desta vez a trabalho e como retiro espiritual também. Foi uma fase em que precisei realmente estar só (não fosse isso não teria dado conta dos acontecimentos dos próximos meses).
Em setembro, precisamente no dia 7, fui para BH cobrir o Campari Rock. Estava desanimada e já prestes a embarcar pensava em desistir, mas ainda bem que não fiz isso. Bom, o retorno foi complicado, como as demais viagens que fiz a partir desta. Em outubro, volta das minhas férias na Europa também conturbada e, em seguida, retorno de BH também. Sou humana e desabei na última viagem. Aeroportos me remetem a despedida, quase sempre acompanhada de tristeza, e não importa se sou eu quem parte ou se sou eu quem fica.
Fevereiro de 2007, eu também vivi outra despedida (já a terceira que vivencio com um amigo) e amanhã irei para a quarta experiência. Desisti de ir na despedida dele, em BH, no início deste ano, exatamente para evitar o adeus, mas não teve jeito. O vôo dele para Belém fez escala aqui e o que era para ser algumas horas, devido ao atraso, o meu amigo teve de dormir em Brasília, ou seja, não adiantou a minha tentativa de evitar a despedida. Iria ao encontro dele, em BH, neste mês novamente, mas resolvi desistir mais uma vez. O motivo? Agora foram vários, entre eles, o adeus. Não adiantou de novo, o vôo dele para BH fará escala em Brasília (já que ele está vindo do Pará).
Minhas últimas experiências com aeroportos me trouxeram dor. Aquela música tocando na minha cabeça: "I know I'll see your face again". Depois do adeus sempre volto para o carro sozinha e dirijo ao som de alguma canção que vai eternizar o momento. Aeroporto também me lembra separação, esta que me machucou quando retornei da Europa e tive que dar fim a uma história com alguém que amo assim que pisei os pés no aeroporto (ao menos tentei) e embora sejam situações diferentes, o encontro de amanhã vai me machucar de novo. Eu já deveria ter me acostumado com isso, mas é respirar fundo e me preparar (e não, não é o que muitos pensariam caso lessem este texto). É preciso enxergar além do óbvio.
Todas estas histórias tiveram os seguintes aeroportos como pano de fundo: JK, Pampulha, Confins, Congonhas, Guarulhos, Barajas, Girona, Orly.
Seja quem for que tenha de dar adeus, namorado, amigo ou alguém da família, despedir de quem amo não
me faz bem... O problema não são meus sentimentos, Caio é meu amigo (o que já é muita coisa), mas a despedida. Ela é que me faz mal.