Não sou de ir a muitos concertos. Por várias razões, algumas plausíveis, outras nem tanto, às vezes só porque não me apetece e a maior parte das vezes porque não há oportunidade de ver as bandas que mais gosto.
A maior parte das vezes são os concertos mais pequenos que nos marcam mais. Uma banda de garagem que toca com sentimento, um solo que nos arrepia, "olha, uma das minhas músicas preferidas", um artista que não se sabe bem porquê continua a tocar só em bares, uma voz que devia ser conhecida por todos...
Tudo isto para dizer que na semana passada assisti ao meu primeiro concerto do ano e foi um concerto pequeno. Sítio pequeno, concerto com pouca divulgação, banda pouco conhecida (para já!) e um concerto de apenas uma hora que me soube tão bem ouvir.
Os
Guta Naki são uma banda de Lisboa com Cátia Pereira na voz, Dinis Pires no baixo e Nuno Palma na guitarra, nas teclas e nos sons/batidas que "faz sair" do computador. Já tocam juntos desde os 14 anos mas só começou a ser mais a sério em 2008. No final de 2010 lançaram o seu primeiro disco de originais e é esse mesmo disco que andam a divulgar pelo país. Eu tive a sorte de os ver no café-concerto do Teatro de Vila Real, mas eles vão continuar a dar concertos pelo país.
O que salta logo à vista nos
Guta Naki, é sem dúvida, a vocalista. Canta munida de uma força enorme, tem um grande carisma e uma excelente presença em palco. É daquelas artistas que têm "qualquer coisa". Há por aí centenas de vocalistas com boa voz e boa imagem mas que não conseguem cativar um público, falta-lhes "qualquer coisa". Isso não acontece com Cátia, ela tem o que é preciso. Tem uma excelente voz e uma excelente interpretação que aliadas às melodias da guitarra e aos ritmos impostos pelo baixo, hipnotizam a audiência e atribuem intensidade ao concerto. As letras cruas e em portugûes também ajudam e, a certa altura, conseguimos perder-nos nas letras e na voz de Cátia imaginando garfos espetados nas costas, imaginando a Margarida e imaginando outras coisas que vão surgindo nas letras..
É difícil caracterizar o som dos
Guta Naki, nem eles próprios o conseguem fazer muito bem. O que se diz por aí é que são "um trio de amigos munidos de ferramentas pop", o que não é de todo errado. As suas canções têm sempre letras de enorme qualidade, quase poéticas, sendo que o seu estilo também se aproxima de um estilo que vem sendo descrito como novo fado, pelas letras, pela maneira de cantar e pela próprio melodia de algumas músicas. Por vezes sente-se o cheiro de A Naifa, outras vezes, as batidas electrónicas fazem lembrar um pouco de Portishead. É uma banda alternativa que mistura pop, electrónica e alguns pozinhos de fado, o fado presente na nossa vida diária e que respiramos por sermos portugueses.
Mas, classificações à parte, que isso não é o mais importante, os
Guta Naki apresentam boas canções dignas de se ouvir nas rádios e apresentam um dos projectos nacionais que mais me entusiasmou. Não tarda muito e estarão a encher salas de espectáculo pelo país. Por enquanto ainda não se paga para os ver, mas quando for a pagar, será dinheiro bem empregue e a garantia de um bom concerto.
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