Sou - Marcelo Camelo

Sou - Marcelo Camelo Palácio das Artes
onsdag 5 november 2008

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Concert

Med Marcelo Camelo

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onsdag 5 november 2008

Palácio das Artes

Av. Afonso Pena, 1537
Minas Gerais, Belo Horizonte 30130-004
Brasilien
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Tel: 55 31 3236 7400
Webb: www.fcs.mg.gov.br/

É o meu querido irmão Marcelo quem faz a família cantar o Parabéns mais alto que já ouvi. “Agora é hora de cantar com força e espantar o que há de ruim”, costuma dizer. Já perdi a conta das festas em que ele reuniu todos à minha volta e celebrou, com o isqueiro fazendo as vezes de vela e bolo, o meu aniversário. Também é a ele, com sua estatura, humor e violão de domingo, que a gente dirige o olhar nas poucas oportunidades onde todos se encontram. Marcelo carrega o elo.

Por isso é engraçado quando as pessoas que apenas o conhecem na figura do artista vêm falar sobre seu isolamento, sua timidez e estranheza. Não que ele não seja isolado, tímido e estranho. Às vezes, alcançar o universo dele é difícil e, por trás da alegria com a qual estou habituado, enxergo uma pessoa profundamente só. Quase sempre só. E isso confunde, porque, embora tenhamos uma intimidade irmã, existe esse muro (um mundo) que nos separa. Pois esse CD me ajudou a atravessar tudo e – tão exposto – Marcelo está agora bem perto.

Essa ambivalência de emoções converge aqui. Tudo no mundo parece fazer parte de algo único, onde o encontro de palavras, harmonias e idéias díspares forma o que ele é: que é como ele canta. “Caminho em frente pra sentir saudade” (Janta, faixa 5); “Todo amor encontra sempre a solidão” (Téo e a gaivota, faixa 1); “Posso estar só mas sou de todo mundo” (Doce solidão, faixa 4) e “Amor eu vivo tão sozinho de saudade” (Saudade, faixa 13).

Há momentos em que a solidão dá a melodia. As notas da estrofe única “E lá vai deus sem sequer saber de nós / Saibamos pois/ Estamos sós” (Passeando, faixa 3) sinalizam o instante em que o sentimento empurra para baixo. Assim, o dilema entre o perene e o efêmero, questão comum à maioria das músicas, aparece quase como conseqüência: “E até esse pra sempre / Tudo passa” (Tudo passa, faixa 2); “Pode ser cruel a eternidade” (Janta) e “De que vale ser aqui / Onde a vida é de sonhar liberdade?” (Liberdade, faixa 8).

Mas para esses versos há sempre resposta. A impressão, mais uma vez, é de que todo sentimento traz um oposto que o traduz com perfeição: “Pode ser até do corpo se entregar mais tarde / Parece simples mas a gente às vezes é / O amor é lindo deixo tudo que quiser eu não me queixo em ser / Acho normal ver a vida feito faz o mar num grão de areia” (Mais tarde, faixa 6). Quando a levada rock chega, empurra para cima e torna a resignação de Mais tarde reconfortante.

E qualquer ponto de vista torna-se lindo quando é defendido dessa forma. Uma crença de que a beleza da vida está em caminhar no mundo à mercê do acaso, das misturas, daquilo que é comum a todos os sentimentos: “Onde você for ó vida me leva / Todo sentimento me carrega” (Vida doce, faixa 12). Para quem leva em si a ambigüidade, a marchinha Copacabana (faixa 11) é finalmente o encontro com a alegria plena. Por lá, “o coração tá com jeito de bem me quer”, “os velhinhos são bons de papo” e “as gordinhas um alvoroço”. Não à toa, o bairro é o lugar de mais mistura em que a família já morou, onde as emoções coexistem.

Num cantar baixo, sussurrado até, Marcelo fez um disco que soa – difícil dizer exatamente por quê – universal na sua brasilidade. É possível que o peso contemporâneo que a turma do Hurtmold impõe à boa parte das canções (sejam elas sambas, rocks ou guitarradas) ajude nessa guinada em direção ao mundo. A opção por gravar instrumentos e voz ao vivo também aproxima. Os barulhos de mar e crianças entre as músicas, os espaços dos arranjos, os bastidores da gravação (as participações de Dominguinhos e Mallu Magalhães são especialmente felizes neste sentido); o CD é íntimo e cheio de vida.

Termino o disco com o sentimento de ter travado uma sincera conversa com Marcelo. E com a sensação de que, como eu, qualquer ouvinte pode vivenciar esse diálogo. Conheço-o agora melhor e tenho orgulho da sua mais bonita obra. Quando escuto “Moça por favor / Cuida bem de mim” (Menina bordada, faixa 7), lembro da nossa mãe tão preocupada com tudo (Ana, das pinturas reproduzidas no interior do encarte). Lembro ainda do nosso pai (Ernesto), infinitamente disposto a ajudar, que com esse CD transformou-se num inesperado grande produtor executivo. Nesse mar de solidão, desse “sou” que é igual ao “nós”, estamos sempre no barco contigo, irmão. Afinal, Camelo também carrega o elo.

Thiago Camelo

** Ingressos à venda

Preço: Até o dia 10 de outubro: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia entrada*). A partir do dia 11 de outubro: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia entrada).
Balcão de Informações: (31) 3236-7400
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